Em resumo

  • O Brasil tem as segundas maiores reservas de terras raras do mundo e virou destino de capital institucional estrangeiro após as restrições chinesas à exportação.
  • Projetos de mineração exigem estradas, plantas de beneficiamento, contenção de rejeitos e energia — contratos naturais para empreiteiras de civil pesada.
  • O padrão de exigência é internacional: demonstrações em IFRS, documentação em inglês, compliance ESG e garantias aceitas fora do Brasil.

O Brasil detém as segundas maiores reservas mundiais de terras raras, estimadas em 21 milhões de toneladas, segundo o USGS (U.S. Geological Survey, 2024). Esses minerais — neodímio, cério, lantânio, disprósio, entre outros — são insumos críticos para turbinas eólicas, veículos elétricos, chips semicondutores e sistemas de defesa. O mundo os quer. O Brasil os tem.

O contexto geopolítico que mudou tudo

Com a China controlando cerca de 60% da produção mundial, as restrições de exportação aplicadas pelo governo chinês em 2023 e 2024 (Reuters, outubro de 2024) aceleraram o que já era tendência: Estados Unidos, União Europeia, Japão e Coreia do Sul lançaram programas de diversificação de cadeia de minerais críticos.

O Brasil, com depósitos conhecidos em Goiás (complexo de Catalão), Minas Gerais (região de Poços de Caldas) e no Norte do país, virou destino prioritário de prospecção de capital institucional internacional — fundos soberanos, private equity de recursos naturais e parceiros estratégicos governamentais.

A oportunidade para operadores brasileiros

Projetos de mineração de terras raras exigem infraestrutura específica: estradas de acesso e logística pesada, plantas de beneficiamento mineral, estruturas de contenção e gestão de rejeitos, e infraestrutura de energia. Empreiteiras de civil pesada e mineração com histórico em projetos similares estão posicionadas para capturar contratos nessa cadeia — desde que consigam se habilitar junto a operadoras internacionais e financiadores institucionais.

O padrão de exigência dessas operadoras é distinto do mercado doméstico: documentação em inglês ou espanhol, demonstrações financeiras nos padrões IFRS ou US GAAP, estrutura de compliance e governança compatível com ESG, e capacidade de prestação de garantias internacionais.

O gargalo de acesso ao capital

Projetos de extração de terras raras têm ciclo longo (5 a 10 anos do estudo de viabilidade à produção) e exigem capital paciente. Fundos internacionais têm o apetite — mas exigem contrapartes brasileiras com estrutura financeira, societária e documental compatível com due diligence internacional.

A montagem dessa estrutura é o que viabiliza a entrada. Sem ela, a oportunidade geológica permanece só no mapa.

Fontes: USGS, Mineral Commodity Summaries 2024; CPRM, Serviço Geológico do Brasil, Relatório de Terras Raras 2023; Reuters, "China tightens grip on rare earth exports", outubro de 2024; BNDES, Programa de Apoio à Mineração Estratégica, 2025.

Perguntas frequentes

Onde estão as reservas de terras raras no Brasil?

Os depósitos mais conhecidos ficam em Goiás (complexo de Catalão), em Minas Gerais (região de Poços de Caldas) e no Norte do país.

Que tipo de obra a mineração de terras raras demanda?

Acessos e logística pesada, plantas de beneficiamento mineral, estruturas de contenção e gestão de rejeitos e infraestrutura de energia.

O que uma empreiteira precisa para trabalhar com operadoras internacionais?

Demonstrações financeiras em IFRS ou US GAAP, documentação em inglês, estrutura de compliance e governança compatível com ESG e capacidade de prestar garantias internacionais.

Simaco Capital

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