Em resumo

  • O déficit de armazenagem chegou a 131,6 milhões de toneladas em 2026: capacidade de 221,8 milhões contra safra de 353,4 milhões (cobertura de 62,8%).
  • O PCA financia silos do produtor e da cooperativa, mas não alcança terminais, condomínios e logística de agroindústrias, que custam R$ 50 a 500 milhões.
  • Armazéns e terminais são ativos de infraestrutura com receita recorrente — o perfil que Fiagros e fundos de infraestrutura buscam, mediante contratos, EPC e modelo.

A capacidade estática de armazenagem de grãos do Brasil chegou a 221,8 milhões de toneladas em 2026, segundo levantamento com base na Conab. A produção da safra 2025/26 foi estimada em 353,4 milhões de toneladas. A diferença — 131,6 milhões de toneladas, ou 37% da safra — é o tamanho do déficit. Nas fazendas, a situação é pior: apenas 16,5% da capacidade nacional está na propriedade, contra cerca de 65% nos Estados Unidos.

A Kepler Weber estimou em R$ 148 bilhões o investimento necessário para zerar o déficit numa safra. A capacidade cresce 2,4% ao ano; a produção, 4,4%. O buraco aumenta a cada ciclo — e o caminhão vira armazém, pressionando frete, portos e a margem do produtor, que vende no pico da colheita porque não tem onde guardar.

O que o PCA financia — e o que não financia

O Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), dentro do Plano Safra, é a linha mais barata para silos: prazo de até 12 anos, carência e taxa equalizada. O Plano Safra 2026/27 reforçou o investimento em armazenagem dentro dos R$ 140,2 bilhões destinados a investimento. Mas o PCA tem os limites do crédito oficial: teto por beneficiário, exigência de garantia real e foco no produtor e na cooperativa.

Ele não alcança os projetos que mais reduziriam o déficit: terminais de retaguarda de portos e ferrovias, condomínios de armazenagem para múltiplos produtores, armazéns de tradings regionais e a logística integrada de agroindústrias. Esses projetos custam de R$ 50 a R$ 500 milhões e são, na essência, infraestrutura.

Capacidade estática: o volume total de grãos que os armazéns e silos cadastrados conseguem guardar simultaneamente. Não considera o giro (a mesma estrutura recebe várias cargas ao longo do ano) nem a distribuição regional — por isso o déficit funcional na janela de colheita, entre março e junho, é maior do que o número agregado sugere.

Por que o capital institucional se interessou

Um armazém ou terminal de grãos tem as características que fundos de infraestrutura procuram: demanda estrutural crescente, receita recorrente (tarifa de recepção, secagem, armazenagem e expedição), contratos com tradings e cooperativas de rating conhecido e vida útil superior a 25 anos. É um ativo real com fluxo previsível — o perfil que os R$ 62 bilhões de patrimônio dos Fiagros e os FIPs de infraestrutura estão buscando.

Os instrumentos disponíveis para projetos acima do PCA:

  • CRA lastreado em contratos de armazenagem com tradings e cooperativas — prazos de 5 a 8 anos, custo entre CDI + 2% e CDI + 4% para bons devedores.
  • Fiagro de desenvolvimento (FII ou FIP): o fundo constrói e detém o ativo, remunerado pela tarifa; o operador pode recomprar ao longo do tempo.
  • Debênture de infraestrutura para terminais integrados a portos e ferrovias, quando o projeto se enquadra em logística prioritária.
  • Project finance com SPE para condomínios de armazenagem e terminais de retaguarda, combinando equity de produtores, dívida estruturada e contrato de operação.

O que o comitê pede

Nas operações de armazenagem que a Simaco estrutura, o financiador quer ver: estudo de demanda regional (produção num raio de 100 a 150 km e capacidade existente); contratos de armazenagem ou intenção firmada com tradings e cooperativas; projeto de engenharia com orçamento fechado e EPC; licença ambiental e regularidade do terreno; e modelo financeiro com cenários de ocupação, tarifa e custo de energia. Só então entra a discussão de estrutura de capital.

Civil pesada na equação

Um terminal de retaguarda ou um condomínio de silos é também uma obra: terraplenagem, fundações para estruturas de 30 a 40 metros, pátios, balanças, acessos e, muitas vezes, ramal ferroviário. É o ponto em que os setores de origem da Simaco convergem com o agro — e em que a empreiteira que executa precisa estar tão estruturada quanto o dono do ativo, porque o financiador do projeto avalia o risco de construção com o mesmo rigor com que avalia a demanda.

Fontes e referências: Conab — Capacidade Estática de Armazenagem e estimativa da safra 2025/26; HN Agro — levantamento sobre déficit de armazenagem (mar/2026); IBGE — Pesquisa de Estoques (2º semestre/2025); CNA/ESALQ-LOG — Diagnóstico da Armazenagem Agrícola no Brasil; Kepler Weber — estimativa de investimento para zerar o déficit (mai/2026); MAPA — Plano Safra 2026/27 (PCA).

Perguntas frequentes

Qual é o déficit de armazenagem de grãos no Brasil?

Cerca de 131,6 milhões de toneladas em 2026: capacidade estática de 221,8 milhões de toneladas contra produção estimada de 353,4 milhões na safra 2025/26.

O que é o PCA?

O Programa para Construção e Ampliação de Armazéns, linha do Plano Safra com prazo de até 12 anos e juros equalizados para silos e armazéns de produtores e cooperativas, sujeita a teto por beneficiário.

Quanto custaria zerar o déficit de armazenagem?

A Kepler Weber estimou R$ 148 bilhões para zerar o déficit numa safra. A capacidade cresce 2,4% ao ano, contra 4,4% da produção.

Como financiar um terminal de grãos sem crédito oficial?

Com CRA lastreado em contratos de armazenagem, Fiagro de desenvolvimento, debênture de infraestrutura para terminais integrados ou project finance com SPE — todos exigindo estudo de demanda, contratos e EPC fechado.

Simaco Capital

Tem um projeto de armazenagem que não cabe no PCA?

Estruturamos terminais, condomínios de silos e armazéns integrados em modelo de project finance, com CRA, Fiagro ou fundo de infraestrutura — do estudo de demanda ao comitê.

Agendar reunião
← Voltar às análises